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O peso das porcentagens

Bom seria se estivesse fazendo terrorismo, mas não é o caso. Analisem comigo.

1 - O edital desse concurso é bastante tranqüilo em termos de matérias e excetuando as matérias específicas de Direito Eleitoral e de regramento interno do tribunal, não há nada exótico ou tremendamente difícil. Além disso, a remuneração oferecida é muito atraente, os tribunais eleitorais são conhecidos por terem uma carga de trabalho relativamente mais tranqüila que outros tribunais e órgãos do judiciário e todos os cargos são para Minas Gerais, onde por mais interiorana que seja a cidade, ela não fica a mais de cinco ou seis horas de distância de uma grande cidade ou capital. Por fim, as provas serão realizadas no início de março, o que dará muito mais tempo para os candidatos estudarem que a maioria dos concursos, cujo tempo entre a publicação do edital e as provas são de um mês, no máximo um mês e meio. Tudo somado resulta em apenas uma coisa, muitos candidatos muito bem preparados. Isso é fato.

2 – As matérias específicas, cuja maior parte trata de Direito Eleitoral e regramento interno do tribunal, terão peso 3. Como se trata de muita lei seca, onde a decoreba é rainha absoluta e haverá tempo suficiente para muita memorização, o bicho vai pegar.

3 – A CESPE é uma banca que tem por tradição não fazer provas extremamente difíceis. Eu, pelo menos, nunca soube dessa banca apertar tanto alguma prova de concurso a ponto de fazer o índice máximo de acertos atingidos pelos candidatos despencarem. Pode ser que isso mude nesse concurso, pode, mas acho que é muito difícil disso acontecer.

Somando 1 + 2 + 3 temos que continuo com minha opinião de que esse concurso será muito, mas muito concorrido e que a disputa entre os melhores colocados será por décimos de pontos. E isso independerá se o índice máximo de acerto seja 99% ou 79%, a disputa continuará feia.

Entendo que o André e muitos outros leitores possam ter se assustado com o que disse tanto na análise do edital quanto na minha sugestão de guia de estudo para esse concurso, mas a realidade é mesmo essa e não há como escapar dela. Na verdade, essa é a realidade dos concursos atualmente e tende a piorar ainda mais ano que vem, com a onda de demissões que estão acontecendo na Economia por conta dos reflexos internos da crise internacional de crédito.

Semana passada mesmo, dois amigos engenheiros foram demitidos de um grande banco. Os caras trabalhavam justamente numa área fortemente atingida pela tal crise, área de financiamentos. Eles ganhavam muito bem, por volta de R$6 mil, tinham uma série de benefícios. Foram demitidos juntamente com metade do departamento que tinha duzentos funcionários. em uma tranquila manhã de quinta-feira Adivinham o que eles já começaram a fazer? Bingo, estudar para concursos. Vão prestar Anatel e TRE-MG.

Alguns podem argumentar que esses meus amigos e outros tantos novos concurseiros como eles não terão chances reais de serem aprovados. Será? Esses dois amigos são casados, um tem uma filhinha de 6 meses e outro um filho de 2 anos. Eles não podem se dar ao luxo de ficarem um ou dois anos sem trabalhar apenas estudando. Os caras estão desesperados. Por terem cursado engenharia, estão acostumados a estudar feito condenados. Quem achar que esses caras, considerando que façam um bom cursinho até as provas, usem bons materiais e estudem sério, não têm chances reais de conquistar uma vaga ... bem, quem achar isso está “tapando o sol com a peneira”, está flertando com o desastre. Eu, que não sou besta, não vou subestimar esses caras!

Gente, a briga do TRE-MG será muito feia, assim como a briga do concurso diplomata 2018, da Antaq, de qualquer bom concurso que será realizado em 2018. Quem não quiser acreditar nisso e estudar considerando isso como a nova realidade dos concursos públicos no Brasilestará fadado a se decepcionar e muito no próximo ano. Não caiam nessa armadilha!